O raio é uma descarga elétrica gigante que acontece quando uma nuvem de tempestade acumula cargas elétricas opostas em partes diferentes. Dentro da nuvem, pedrinhas de gelo e cristais se chocam e trocam cargas; quando a diferença fica grande demais, a eletricidade "rompe" o ar. O Brasil tem muitos raios: segundo levantamento do ELAT/INPE, são em média cerca de 78 milhões por ano, por causa do calor, da umidade e do tamanho do território.
Um raio dura menos de um segundo, mas esquenta o ar ao seu redor a cerca de 30.000 °C, várias vezes a temperatura da superfície do Sol. Ele pode cair dentro da nuvem, entre nuvens ou até o chão. E, apesar de ser um dos fenômenos mais impressionantes da natureza, a física por trás dele começa com algo bem simples: gelo batendo em gelo.
Como os raios se formam
Ar quente e úmido sobe com força e forma um cumulonimbo, a nuvem alta das tempestades, que pode passar dos 12 km de altura.
Na parte alta da nuvem, faz muito frio. Pedrinhas de gelo macio (granizo mole) e cristais de gelo leves se chocam o tempo todo, carregados pelas correntes de ar.
Nos choques, os cristais leves ficam com carga positiva e sobem para o topo; o granizo mole, mais pesado, fica com carga negativa na parte de baixo da nuvem.
Normalmente o ar isola a eletricidade. Quando a diferença de cargas fica enorme, um caminho de ar ionizado começa a avançar em pequenos saltos, chamado de líder.
Quando o líder encontra uma descarga que sobe do chão (de uma árvore, um prédio, um para-raios), o caminho se fecha e uma corrente fortíssima passa: é o clarão que vemos.
Relâmpago, raio e trovão: qual a diferença?
| Nome | O que é |
|---|---|
| Relâmpago | O clarão de qualquer descarga, inclusive as que ficam dentro da nuvem ou entre nuvens (a maioria). |
| Raio | A descarga que liga a nuvem ao chão. |
| Trovão | O barulho. O ar aquecido de repente se expande com violência e cria uma onda de som. |
A que distância está a tempestade? A luz chega quase na hora; o som anda cerca de 340 metros por segundo. Conte os segundos entre o clarão e o trovão e divida por 3: o resultado é a distância aproximada em quilômetros. Contou 9 segundos? O raio caiu a uns 3 km. Se você escuta o trovão, já está perto o bastante para ser atingido.
Por que o Brasil tem tantos raios
Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE, o Brasil registrou em média 77,8 milhões de raios por ano num período de seis anos de medições. Nesse levantamento, foi o maior total entre os países comparados; estudos com outros métodos e períodos podem chegar a rankings diferentes. Os fatores que explicam tanta atividade elétrica:
- Calor: boa parte do país fica na região tropical, onde o sol forte esquenta o chão e faz o ar quente e úmido subir com força (a chamada convecção), formando nuvens de tempestade.
- Umidade: a Amazônia e o oceano fornecem vapor de água em abundância, o combustível das tempestades.
- Tamanho: com mais de 8,5 milhões de km², há espaço para muitas tempestades ao mesmo tempo.
Os estados com mais raios por km², segundo o mesmo levantamento, ficam no Norte e no Centro-Norte:
| Estado | Raios por km² por ano |
|---|---|
| Tocantins | 17,1 |
| Amazonas | 15,8 |
| Acre | 15,8 |
| Maranhão | 13,3 |
| Pará | 12,4 |
Médias do levantamento do ELAT/INPE divulgado em 2016. Os números variam de ano para ano.
Os raios e as pessoas
O ELAT estima que os raios causam, em média, cerca de 110 mortes por ano no Brasil, além de centenas de feridos. A maior parte acontece ao ar livre: no campo, na praia, em campos de futebol e em atividades de trabalho rural. Muitos acidentes acontecem no começo ou no fim da tempestade, quando a chuva ainda está fraca e as pessoas acham que o perigo passou.
Como se proteger
- Escutou trovão, vá para dentro de uma construção fechada ou de um carro com teto de metal, com as janelas fechadas.
- Espere cerca de 30 minutos depois do último trovão antes de voltar para fora.
- Evite lugares abertos e altos, árvores isoladas, cercas de arame, piscinas, mar e rios durante a tempestade.
- Dentro de casa, evite tomar banho e usar aparelhos ligados na tomada durante a tempestade, porque a descarga pode chegar pela rede elétrica e pelos canos.
- Para-raios não "atrai" raios de longe: ele oferece um caminho seguro para a descarga chegar ao chão sem passar pela construção.
Mito: "um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar". Cai, sim. Prédios altos e torres são atingidos várias vezes por ano. O lugar mais alto da região é justamente o alvo preferido.
Os raios aparecem nas mesmas nuvens que geram granizo, ventania e, às vezes, tornados. Continue em os tipos de nuvens, como se forma um tornado e como os meteorologistas preveem o tempo.
Perguntas que todo mundo faz
Em nuvens de tempestade, choques entre granizo mole e cristais de gelo separam cargas elétricas: positivas no topo, negativas embaixo. Quando a diferença fica grande demais, a eletricidade rompe o ar e acontece a descarga.
Por causa do calor tropical, da umidade da Amazônia e do oceano e do tamanho do território. Segundo o INPE, o país registra em média cerca de 78 milhões de raios por ano.
Relâmpago é o clarão de qualquer descarga, inclusive dentro da nuvem. Raio é a descarga que liga a nuvem ao chão. O trovão é o barulho causado pelo ar aquecido que se expande.
Um carro com teto e carroceria de metal, com as janelas fechadas, é um abrigo muito melhor do que ficar ao ar livre, porque a descarga passa pela parte externa de metal até o chão.
Como produzimos este conteúdo: este artigo foi escrito pela Redação Como Tudo Funciona com base em fontes oficiais e referências científicas, listadas abaixo. Os números de raios e de vítimas são médias de levantamentos do INPE e variam de ano para ano.




