O tornado é uma coluna de ar girando que desce de uma nuvem de tempestade até o chão, e está entre os ventos mais fortes já observados na Terra. Ele é pequeno se comparado a um furacão, mas concentra muita força num espaço de poucas centenas de metros. E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil tem tornados, e alguns bem fortes.
Um tornado se forma dentro de uma tempestade muito forte, quase sempre uma supercélula. Quando os ventos mudam de força e de direção com a altura, o ar começa a rolar como um tubo deitado. A forte corrente de ar que sobe dentro da tempestade levanta esse tubo e o coloca em pé, criando uma coluna de ar girando. Se essa rotação se estreita e encosta no chão, nasce o tornado.
Tudo começa com uma tempestade especial
Nem toda chuva forte gera tornado. Para isso, a tempestade precisa de alguns ingredientes ao mesmo tempo:
| Ingrediente | O que faz |
|---|---|
| Ar quente e úmido perto do chão | É o combustível: ar leve que quer subir |
| Ar frio e seco lá no alto | Deixa a atmosfera "instável", e o ar quente sobe com mais força |
| Algo que empurra o ar para cima | Uma frente fria, por exemplo, levanta o ar quente |
| Cisalhamento do vento | Ventos que mudam de força e direção com a altura: é o que cria a rotação |
Quando tudo isso se junta, pode nascer uma supercélula: uma tempestade gigante com uma corrente de ar subindo que gira. Ela pode durar horas e é a principal fábrica de tornados fortes do mundo.
Do tubo deitado ao funil em pé
Perto do chão, o vento é mais fraco; lá em cima, mais forte. Essa diferença faz o ar rolar na horizontal, como um lápis rolando entre as mãos.
A corrente de ar que sobe dentro da tempestade puxa esse "tubo" para cima e o deixa em pé.
Agora existe uma coluna de ar girando dentro da nuvem, com alguns quilômetros de largura.
Assim como a patinadora que gira mais rápido quando fecha os braços, a rotação fica mais rápida quando se estreita.
Se a coluna girando encostar no solo, é oficialmente um tornado.
O funil que a gente vê é feito de gotinhas de água que se formam porque a pressão cai muito dentro dele, além da poeira e dos destroços levantados do chão. Às vezes o tornado já está tocando o solo antes de o funil aparecer inteiro. Por isso, nunca dá para confiar só no que os olhos veem.
Os cientistas ainda não sabem tudo: muitas supercélulas têm rotação, mas só algumas formam tornados. O motivo exato de uma tempestade "soltar" um tornado e outra quase igual não soltar ainda é estudado. É por isso que os alertas de tornado falam em risco, e não em certeza.
Como se mede a força de um tornado
Ninguém consegue colocar um anemômetro no meio de um tornado (e quem tenta normalmente perde o anemômetro). Por isso, a força é estimada pelos estragos que ele deixa. A escala mais usada é a escala Fujita, de F0 a F5:
| Categoria | Estragos típicos |
|---|---|
| F0 | Galhos quebrados, telhas soltas |
| F1 | Telhados danificados, carros empurrados para fora da estrada |
| F2 | Telhados arrancados, árvores grandes derrubadas |
| F3 | Paredes de casas bem construídas destruídas, trens tombados |
| F4 | Casas bem construídas arrasadas, carros arremessados |
| F5 | Destruição quase total, casas levadas das fundações |
Nos Estados Unidos, desde 2007 se usa a escala Fujita aprimorada (EF0 a EF5), que olha com mais detalhe para o tipo de construção atingida. A ideia é a mesma: quanto mais destruição, maior a categoria.
Sim, o Brasil tem tornados
O Sul do Brasil faz parte de uma das áreas com mais tornados fora dos Estados Unidos, junto com o norte da Argentina, o Paraguai e o Uruguai. Ali se encontram o ar quente e úmido que vem da Amazônia e as frentes frias que sobem do sul. É a mistura perfeita para supercélulas, principalmente na primavera.
Alguns tornados marcaram a história do país:
1991, Itu (SP): um tornado atingiu a cidade e é lembrado até hoje como um dos mais destrutivos de São Paulo.
2005, Indaiatuba (SP): tornado registrado em vídeo, que ajudou a mostrar aos brasileiros que o fenômeno existe aqui.
2015, Xanxerê (SC): ventos estimados entre 100 e 300 km/h, quatro mortes e mais de 90 feridos.
7 de novembro de 2025, Rio Bonito do Iguaçu (PR): o laudo técnico do Simepar classificou o tornado como F4, com ventos de mais de 330 km/h, em Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava. O tornado percorreu cerca de 75 km e deixou mortos e centenas de feridos. Para o Simepar, foi um dos maiores eventos do tipo no Paraná nas últimas três décadas.
Tornados no Brasil ainda são subnotificados: muitos acontecem em áreas rurais, sem ninguém filmando. Projetos como a PREVOTS, dedicada a acompanhar tempestades severas no Brasil, ajudam a registrar e classificar esses casos.
O que fazer se houver alerta de tornado
- Procure um cômodo interno, sem janelas, no andar mais baixo da casa: banheiro ou corredor costumam ser boas opções.
- Fique longe de janelas e vidros, que podem estourar com o vento e os destroços.
- Proteja a cabeça com os braços, um travesseiro ou um capacete.
- Não tente filmar de perto nem fugir de carro em direção ao tornado. O vídeo não vale o risco.
- Receba os alertas da Defesa Civil: envie o seu CEP por SMS para o número 40199.
Para entender as outras tempestades que aparecem junto, leia como funciona o raio, como um furacão se forma e os tipos de nuvens.
Perguntas que todo mundo faz
Dentro de uma tempestade forte, o vento que muda de força e direção com a altura faz o ar rolar. A corrente de ar que sobe na tempestade coloca essa rotação em pé. Se a coluna girando se estreita e toca o chão, vira tornado.
O furacão nasce sobre o mar quente, tem centenas de quilômetros de largura e dura dias. O tornado nasce de uma tempestade sobre a terra, tem de dezenas de metros a poucos quilômetros de largura e geralmente dura minutos.
Sim. O Sul e partes do Sudeste e do Centro-Oeste registram tornados. Um dos mais fortes foi o de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, em novembro de 2025, classificado como F4 pelo Simepar.
Num cômodo interno, sem janelas, no andar mais baixo da construção, protegendo a cabeça. Longe de vidros e nunca dentro de um carro tentando fugir.
Como produzimos este conteúdo: este artigo foi escrito pela Redação Como Tudo Funciona com base em fontes oficiais e referências científicas, listadas abaixo. A classificação dos tornados brasileiros segue os laudos oficiais disponíveis, e os números de vítimas podem variar entre as fontes.
- NOAA National Severe Storms Laboratory: tornados (em inglês)
- Band: laudo técnico do Simepar reclassifica o tornado do Paraná como F4 (novembro de 2025)
- NSC Total: Simepar muda categoria de tornado e confirma ventos de até 418 km/h no PR
- Olhar Digital: os piores desastres causados por tornados no Brasil
- Bem Paraná: tornados no Brasil desde 1948




