Um furacão é uma das tempestades mais poderosas da natureza e, ao mesmo tempo, uma das mais organizadas. Ele pode ter centenas de quilômetros de largura, ventos acima de 250 km/h e, no centro, um "olho" de tempo calmo. Para se formar, porém, precisa de condições bem específicas, e é por isso que o Brasil quase nunca registra um.
Um furacão se forma sobre o mar quente, com água de pelo menos uns 26 °C. O calor faz a água evaporar, o ar quente e úmido sobe, forma nuvens enormes e libera ainda mais calor, o que puxa mais ar de baixo. A rotação da Terra faz esse sistema girar. Se os ventos lá no alto forem fracos e nada atrapalhar, a tempestade se organiza em espiral e pode virar um furacão, com ventos a partir de 119 km/h.
As 5 condições para um furacão se formar
Se faltar qualquer uma destas condições, o furacão não se forma. Segundo a NOAA, a agência de clima dos Estados Unidos, estas são as principais:
Água de pelo menos uns 26 °C, e não só na superfície: até dezenas de metros de profundidade.
Muito vapor d'água na atmosfera, que serve de "combustível".
Se o vento em grande altitude for muito diferente do vento perto do mar, ele "corta" a tempestade.
O chamado efeito Coriolis faz o sistema girar. Por isso furacões não se formam bem em cima do Equador.
Um grupo de nuvens de tempestade que já existe e serve de ponto de partida.
Passo a passo: da evaporação ao furacão
1. O mar evapora
O sol esquenta o oceano tropical durante meses. A água quente evapora com facilidade, e o ar logo acima do mar fica quente e cheio de umidade.
2. O ar sobe e vira nuvem
Ar quente é mais leve, então ele sobe. Lá em cima, esfria, e o vapor vira gotinhas de nuvem. Aqui está o truque: quando o vapor vira água, ele solta calor. Esse calor esquenta o ar ao redor, que sobe ainda mais rápido. É como um motor que se alimenta sozinho.
3. A pressão cai no centro
Com tanto ar subindo, a pressão perto do mar cai no centro da tempestade. O ar das redondezas corre para ocupar esse espaço, e vento forte começa a soprar em direção ao centro.
4. Tudo começa a girar
Por causa da rotação da Terra, o ar que corre para o centro não vai em linha reta: ele faz curva. No hemisfério norte, o furacão gira no sentido anti-horário. No hemisfério sul, no sentido horário. Aos poucos, as nuvens se organizam em grandes faixas em espiral.
5. Nasce o olho
Quando o sistema fica bem forte, surge no meio uma área de ar descendo, sem nuvens e com vento fraco: o olho do furacão. Em volta dele fica a parede do olho, onde estão os ventos mais violentos e a chuva mais forte. A calmaria é temporária: depois do olho, a outra metade da parede do olho ainda vai passar.
Depressão, tempestade ou furacão?
O mesmo sistema muda de nome conforme a força do vento:
| Nome | Vento sustentado |
|---|---|
| Depressão tropical | até 62 km/h |
| Tempestade tropical (já ganha nome) | de 63 a 118 km/h |
| Furacão categoria 1 | de 119 a 153 km/h |
| Categoria 2 | de 154 a 177 km/h |
| Categoria 3 (furacão "maior") | de 178 a 208 km/h |
| Categoria 4 | de 209 a 251 km/h |
| Categoria 5 | 252 km/h ou mais |
Categorias da escala Saffir-Simpson, usada pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos.
Furacão, tufão ou ciclone? É o mesmo fenômeno com nomes diferentes conforme o oceano. No Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste, chama-se furacão. No Pacífico Noroeste, perto do Japão e das Filipinas, tufão. No Oceano Índico e no Pacífico Sul, ciclone tropical.
Por que o Brasil quase não tem furacões
A costa brasileira é enorme, então por que os furacões passam longe? Dois motivos principais:
- O Atlântico Sul é mais frio: a água perto da nossa costa raramente chega perto dos 26 °C necessários nas áreas onde um furacão poderia ganhar rotação.
- Vento forte lá no alto: sobre o Atlântico Sul, os ventos em grande altitude costumam ser fortes e mudar muito de direção. Isso "corta" as tempestades antes que elas se organizem.
O que o Brasil tem com frequência são ciclones extratropicais, principalmente no Sul. Eles se formam de outro jeito, a partir do encontro de massas de ar quente e frio, e também podem causar ventos fortes e muita chuva. Entenda a diferença em como funcionam os ciclones no Brasil.
Catarina: o furacão que atingiu o Brasil em 2004
Em março de 2004, um sistema que nasceu como ciclone extratropical encontrou uma combinação rara: água um pouco mais quente que o normal, ventos fracos lá no alto e uma área de alta pressão que o segurou sobre o oceano. Com tempo para ganhar força, ele ganhou características tropicais, formou até um olho e atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Foi o Catarina, considerado o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul. Os ventos chegaram a cerca de 180 km/h, milhares de casas foram destruídas e dezenas de milhares de pessoas ficaram desabrigadas. Até hoje, os pesquisadores tratam o Catarina como um caso extremamente raro, e o episódio virou tema de estudo no mundo todo.
E nos Estados Unidos e no Caribe?
A temporada de furacões do Atlântico Norte vai de 1º de junho a 30 de novembro, com o pico em setembro. Algumas temporadas são agitadas, outras surpreendentemente calmas: em 2026, com um El Niño forte deixando os ventos de altitude mais fortes sobre o Atlântico, a temporada chegou ao fim de setembro sem nenhum furacão, algo que não acontecia desde 1914. Mais um exemplo de como o El Niño mexe com o tempo bem longe do Pacífico.
Quer ver como outras tempestades se formam? Leia também como se forma um tornado e por que o Brasil é o país dos raios.
Perguntas que todo mundo faz
Sobre o mar quente, a água evapora, o ar quente e úmido sobe e forma nuvens que liberam calor. A pressão cai no centro, o ar corre para lá e a rotação da Terra faz tudo girar. Com ventos fracos em grande altitude, o sistema se organiza e pode virar furacão.
A partir de ventos sustentados de 119 km/h. Abaixo disso, é tempestade tropical (de 63 a 118 km/h) ou depressão tropical.
Sim, uma vez: o Catarina, em março de 2004, que atingiu Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. Ele é considerado o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul.
O furacão nasce sobre o mar quente dos trópicos e tira energia do calor da água. O ciclone extratropical, comum no Sul do Brasil, nasce do encontro de massas de ar quente e frio.
Como produzimos este conteúdo: este artigo foi escrito pela Redação Como Tudo Funciona com base em fontes oficiais e referências científicas, listadas abaixo. A parte sobre a temporada de furacões de 2026 foi conferida na data de atualização indicada no topo da página.
- National Hurricane Center (NOAA): escala Saffir-Simpson (em inglês)
- NOAA JetStream: introdução aos ciclones tropicais (em inglês)
- Revista Pesquisa FAPESP: De olho no furacão (Catarina)
- Gazeta SP: relembre o furacão que surpreendeu o Brasil
- The-Weather.com: a temporada de 2026 sem furacões (em inglês)




