"Choveu 50 milímetros em São Paulo." A frase aparece no jornal, a gente balança a cabeça e segue a vida. Mas o que são esses milímetros? Ninguém colocou uma régua no meio da rua (bom, quase isso). Medir chuva é uma das tarefas mais antigas da meteorologia, e hoje ela mistura baldes simples, sensores automáticos, radares e satélites.
A chuva é medida com um pluviômetro, um recipiente que recolhe a água que cai numa área conhecida. O resultado sai em milímetros: 1 mm de chuva = 1 litro de água em cada metro quadrado de chão. Além dos pluviômetros, radares e satélites estimam a chuva em áreas grandes, e redes como as do INMET e do Cemaden enviam os dados automaticamente.
O milímetro de chuva, explicado com uma caixa
Imagine uma caixa quadrada de 1 metro por 1 metro, aberta em cima, deixada no quintal durante a chuva. Se a água dentro dela chegar a 1 milímetro de altura, choveu 1 mm. E quanta água é isso? Exatamente 1 litro, espalhado naquele metro quadrado.
Daí vem a conta que impressiona: 50 mm de chuva são 50 litros em cada metro quadrado. Num campo de futebol, isso dá centenas de milhares de litros. Não é à toa que a rua vira rio quando o bueiro não dá conta.
Por que milímetro e não litro? Porque o milímetro funciona para qualquer tamanho de área. Não importa se o pluviômetro tem a boca do tamanho de um copo ou de um balde: a altura da água é a mesma. É por isso que dá para comparar a chuva de cidades diferentes.
Os três tipos de pluviômetro
| Tipo | Como funciona | Quem usa |
|---|---|---|
| Convencional | Recolhe a água num recipiente; uma pessoa lê a quantidade com uma proveta graduada, em horários fixos | Estações convencionais do INMET, agricultores, escolas |
| Semiautomático | Mede e guarda os dados; a leitura aparece num painel digital | Comunidades em áreas de risco, no projeto do Cemaden |
| Automático | Mede, guarda e envia os dados sozinho, pela internet ou pelo celular | Estações automáticas do INMET e a rede do Cemaden |
O truque da gangorra
Muitos pluviômetros automáticos usam uma peça chamada báscula, que funciona como uma gangorra com dois pequenos baldes. A água da chuva enche um lado; quando chega a uma quantidade certa (por exemplo, 0,2 mm), a gangorra vira, esvazia esse lado e começa a encher o outro. Cada virada é contada por um sensor. Contou 10 viradas de 0,2 mm? Choveu 2 mm. Simples e genial, como quase tudo que funciona bem.
Quem mede a chuva no Brasil
- INMET (Instituto Nacional de Meteorologia): administra mais de 700 estações pelo país. As automáticas registram os dados de hora em hora e enviam em tempo real; as convencionais dependem de um observador que faz a leitura em horários fixos.
- Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais): tem uma rede de pluviômetros automáticos em áreas com risco de enchente e deslizamento, presente em mais de mil municípios. Qualquer pessoa pode ver os dados no mapa interativo do Cemaden.
- Comunidades: pelo projeto de pluviômetros comunitários do Cemaden, moradores de áreas de risco recebem pluviômetros semiautomáticos e aprendem a ler e a usar os dados para se proteger.
- Estados e cidades: muitos governos estaduais e prefeituras têm suas próprias redes e centros de alerta.
Radar e satélite: a chuva vista de longe
O pluviômetro é ótimo, mas mede só o ponto onde está. Para saber onde está chovendo numa região inteira, entram duas ferramentas:
Envia ondas de rádio que batem nas gotas de chuva e voltam. Quanto mais forte o "eco", mais intensa a chuva. Ele mostra a chuva caindo, quase em tempo real, num raio de centenas de quilômetros.
Lá do espaço, observa as nuvens e estima onde chove, inclusive sobre o oceano e na floresta, onde quase não há pluviômetros.
Radar e satélite estimam; os pluviômetros no chão servem para conferir e ajustar essas estimativas.
Quando a chuva vira alerta
A quantidade de chuva sozinha não conta toda a história: a velocidade importa muito. Os critérios de aviso do INMET dependem do tipo de evento e da área afetada, por isso o que vale é sempre o aviso oficial do INMET para a sua região. Nos avisos de chuvas intensas, o INMET costuma usar estas faixas:
| Aviso do INMET | Chuva por hora | Chuva por dia |
|---|---|---|
| Amarelo (perigo potencial) | de 20 a 30 mm | até 50 mm |
| Laranja (perigo) | de 30 a 60 mm | de 50 a 100 mm |
| Vermelho (grande perigo) | mais de 60 mm | mais de 100 mm |
Repare: 50 mm espalhados num dia inteiro podem ser só um dia chuvoso. Os mesmos 50 mm em uma hora podem alagar ruas em minutos. O solo já encharcado, a quantidade de asfalto e a inclinação do terreno também pesam.
Faça o seu próprio pluviômetro
Dá para medir a chuva em casa com material simples, ótimo para um trabalho de escola:
- Pegue uma garrafa PET de paredes retas e corte a parte de cima.
- Encaixe a parte cortada de cabeça para baixo, como um funil, para a água não evaporar tão rápido.
- Cole uma régua do lado de fora, com o zero na altura do fundo reto (se o fundo for irregular, coloque um pouco de areia ou massinha até ficar reto e comece a medir a partir daí).
- Coloque num lugar aberto, longe de telhados, árvores e muros, e bem firme para não tombar.
- Leia sempre no mesmo horário, por exemplo às 9h, anote e esvazie.
Como a garrafa tem paredes retas, a altura da água na régua já é a chuva em milímetros. Compare com os dados do INMET ou do Cemaden da sua cidade. Se der muito diferente, não se preocupe: a chuva pode variar bastante de um bairro para o outro.
Quer entender de onde vem essa água? Leia como funciona a chuva e o ciclo da água, os tipos de nuvens e como o El Niño muda a chuva no Brasil.
Perguntas que todo mundo faz
Significa que caiu 1 litro de água em cada metro quadrado de chão. Se a água não escorresse nem evaporasse, ela formaria uma camada de 1 milímetro de altura.
O pluviômetro. Ele pode ser convencional (leitura manual), semiautomático (painel digital) ou automático (envia os dados sozinho).
Depende da velocidade e do lugar. Os critérios de aviso do INMET dependem do tipo de evento e da área afetada; consulte o aviso oficial para a sua região. Nos avisos de chuvas intensas, chuva de 20 a 30 mm em uma hora costuma aparecer como perigo potencial (amarelo), e mais de 60 mm em uma hora ou mais de 100 mm em um dia como grande perigo (vermelho).
No portal do INMET, que mostra os dados das estações, e no mapa interativo do Cemaden, com os pluviômetros automáticos em áreas de risco.
Como produzimos este conteúdo: este artigo foi escrito pela Redação Como Tudo Funciona com base em fontes oficiais e referências científicas, listadas abaixo. Os critérios de aviso e o tamanho das redes de medição foram conferidos na data de atualização indicada no topo da página.
- INMET: sobre meteorologia e a rede de estações
- Cemaden: mapa interativo de chuva
- Jornal de Brasília: Cemaden expande rede de monitoramento para 1.295 municípios
- EduCAPES: construção de um pluviômetro
- INMET: portal com os avisos meteorológicos oficiais
- CNN Brasil: entenda os alertas do INMET para temporais




